Agenda

CAMPO PEQUENO - 5ª feira, 17 de Maio - 22h

Toiros de Vinhas 

António Ribeiro Telles - Pablo Hermoso de Mendoza - Manuel Telles Bastos

Forcados de Évora e Aposento da Moita

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Crónica - Abertura Campo Pequeno
Escrito por Patrícia Sardinha   
Sexta, 15 Abril 2011 15:53
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“Há muitas maneiras de matar as pulgas”

 

O adágio taurino “corrida de expectación, corrida de desilusión” assenta que nem uma luva à corrida de inauguração da temporada na Praça de Toiros do Campo Pequeno. Quando se ansiava há semanas pelo confronto toiros x toureiros e toiros x forcados, apenas do segundo binómio se constatou alguma ‘emoção’.

Longe do belíssimo curro de 2009, ou do encastado curro de 2010, os toiros de Murteira Grave que saíram ontem à arena lisboeta voltaram a primar em apresentação, mas em comportamento deixaram a desejar. Aliás, o curro parecia ter sido todo moldado na mesma forma, pois nenhum toiro destoou muito de outro em comportamento. Todos saíram bem à praça, mas depois perdiam ‘pedalada’, acusando escassez de forças. Foram desencastados, sem no entanto terem sido mansos perdidos e pediam inclusive outras condições...e terem sido (mais) toureados.

E ao contrário da praça cheia evidenciar que a crise ainda não chegou ao Campo Pequeno, eu tenho em mim que isso não é de todo verdade. Com a crise que o País atravessa, provavelmente chegará o dia que tenhamos que cultivar no quintal, ou num terreno qualquer baldio, os nossos legumes, a fruta, etc. E quer-me parecer que a principal praça do país se prepara para ter a sua própria horta, pois o piso não estava em grandes condições, tendo inclusive sido a primeira vez, que no intervalo, se viu alisarem (só o centro) a arena com um tractor. Ora com a areia muito solta, muitas vezes se viram os toiros cair e inclusive forcados tropeçar! E assim realmente, não há condições...

Rui Fernandesabriu a noite frente ao primeiro toiro com 554 kg e foi correcto na brega com que o recebeu. A rês que não tinha maldade nenhuma, permitiu que o cavaleiro nos ferros curtos se exibisse em quiebros, mas por serem tão acentuadas as batidas, fez com que o toiro, ao ir no engano, depois lhe faltasse no momento de cravar ou então resultavam as sortes desajustadas. Muito bom o terceiro curto, a pouca distância do toiro e que foi talvez o ferro da noite. O segundo do seu lote, com 594 kg, foi esperá-lo à porta gaiola e novamente esteve bem na brega. O resto da actuação foi similar à anterior onde por vezes os quiebros, não resultaram numa cravagem certeira. Mas andou cheio de intenções o cavaleiro.

Diego Venturaveio a Lisboa pela terceira vez e porventura com a ideia de mais uma Porta Grande, já que o seu público estava presente. Na verdade, muito se esperava deste ‘duelo’ Graves x Ventura, pois muitos diziam serem limitadas as capacidades do artista perante toiros (dito) mais duros. Mas Ventura esteve ali, arrimado defronte dos Graves, que afinal não foram duros.  Mas nem o facto dos Murteira Grave terem sido paradotes, o que geralmente dá azo a exibições equinas que no rejoneio tanto se valorizam, fez com que desta vez o rejoneador luso-espanhol conseguisse sair em ombros. No seu primeiro toiro, com 538 kg, Ventura puxou dos galões com o Sueste (mais uma vedeta que morde – apesar disto não se enquadrar neste tipo de espectáculo...nem noutro qualquer, enfim) e entre quiebros e ladeios lá foi deixando a ferragem ainda que com algumas passagens em falso pelo meio. No segundo do seu lote, com 624 kg, Ventura entusiasmou com o Distinto, pela forma e tempo como aguenta, esperando as investidas da rês. Mas depois, quando se dava o momento em que o toiro se arrancava, parecia desprevenido e por duas vezes falhou os ferros.

Marcos Tenóriolidou o toiro mais pesado da noite com 642 kg, o que também lhe retirou alguma mobilidade. Na sua primeira actuação, quase que parecia estarmos a assistir a uma cópia do pai, com uma prestação muito ‘floreada’, mas a verdade é que as cópias nem sempre são perfeitas. Marcos andou algo precipitado e isso custou-lhe alguns desajustes no momento da reunião. Rematou com violinos e o par de bandarilhas. No último da noite, com 518 kg, Marcos voltou a demonstrar alguma ‘paciência’ e cedo, ao terceiro curto, entrou na ferragem de adorno com os violinos. Mas nem assim convenceu e depois o fazer por duas vezes, decide dar por terminada a lide. No entanto, a noite era de festa e o público exige-lhe mais um, a que corresponde com o par de bandarilhas.

No que toca aos Forcados, noite sem problemas. O grupo de Forcados Amadores de Lisboa demonstrou naquela que foi a sua primeira corrida da temporada, capacidades para uma boa temporada com o grupo a evidenciar muita coesão no que toca às ajudas. Pegaram por Lisboa, o cabo Pedro Maria Gomes, que apesar de ter tropeçado (lá está o estado do piso) concretizou à primeira; Gonçalo Maria Gomes sem problemas também ao primeiro intento; e Francisco Mira numa grande pega também à primeira. O grupo dos Amadores de Alcochete reafirmou porque é um dos grupos mais fortes das últimas temporadas, também com três pegas à primeira. Pegaram Rúben Duarte, que ainda levou com um pitón no peito, mas aguentou-se bem; Fernando Quintela muito bem à primeira; e o cabo Vasco Pinto com uma pega sem problemas.

Dirigiu a corrida o sr. António dos Santos, assessorado pelo veterinário Jorge Moreira da Silva, numa corrida que iniciou com um minuto de silêncio pelos ganaderos Ortigão Costa, Norberto Pedroso e Francisco Palha Botelho Neves e pelo bandarilheiro Mário Freire. Esqueceram-se de Vaz Monteiro, o mais antigo ganadero de Portugal, mas pronto, pormenores...

A primeira da temporada no Campo Pequeno, gerava tantas expectativas, que no final saíram todas goradas e as ‘dúvidas’ mantêm-se...pois quando não são os toiros, são os toureiros, ou o piso, ou... há sempre uma desculpa...afinal, ‘há muitas maneiras de matar as pulgas’!

 

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